segunda-feira, novembro 07, 2005

Na Sua Pele

TÍTULO ORIGINAL: In Her Shoes

REALIZADOR: Curtis Hanson

ELENCO: Toni Collette, Cameron Diaz, Shirley Maclaine, Mark Feuerstein, Brooke Smith

ANO: 2005



COMENTÁRIO:

Belíssimo filme de Curtis Hanson sobre a complexidade do ser humano e, ao mesmo tempo, sobre a sua condição de animal reduzido aos mais básicos instintos (perfeitamente espelhados na personagem de Cameron Diaz). Ao contrário do que se possa pensar, In Her Shoes não é um filme de mulheres para mulheres, mas antes um filme sobre mulheres para todos. Até porque o papel masculino tem uma importância preponderante para o desenrolar da história e para os laços que se criam e destroem ao longo do filme.
A história não é nova, as voltas que o filme dá para atingir os seus fins também não. A diferença é que aqui tudo é feito com mestria, com perfeita noção daquilo que se deve mostrar, sem nunca cair no básico. Tudo é feito com subtileza e bom gosto. Aliás, outra coisa não seria de esperar, tendo em conta o senhor por detrás das câmaras, e principalmente tendo em conta o magnífico elenco de que Hanson dispôs. Tenho, para mim, que Toni Collette é uma das melhores actrizes da actualidade, e este filme confirma-o. Cameron Diaz está igualmente perfeita na pele de Maggie (mesmo que a sua beleza seja meio caminho andando para a composição da personagem) provando que tem imenso talento e uma larga margem de progressão. E a completar o ramalhete, a veterana Shirley Maclaine oferece-nos uma lição de representação.
Embora não tendo aqueles pequenos detalhes capazes de o tornar num grande filme, In Her Shoes não anda muito longe desse escalão. É um óptimo exercício de fusão entre o drama familiar e a comédia romântica, e isso por si só basta para nos fazer acreditar nele.

CLASSIFICAÇÃO:
8/10

sexta-feira, novembro 04, 2005

Senhor da Guerra


TÍTULO ORIGINAL: Lord Of War

REALIZADOR: Andrew Niccol

ELENCO: Nicolas Cage, Ethan Hawke, Ian Holm, Jared Leto, Bridget Moynahan

ANO: 2005


COMENTÁRIO:

Filme estranho, este “Senhor da Guerra”. Digo isto porque me parece que por detrás de todo o aparato cénico, pouco mais há a reter. As personagens são estranhamente estereotipadas, sem profundidade, como se fossem meras colagens. Algo de estranhar quando temos um elenco liderado por Nicolas Cage, e onde figuram nomes como Ethan Hawke e Ian Holm (belíssimo actor, normalmente subaproveitado).
O filme até começa bastante bem, com uma sequência onde a “personagem” seguida pela câmara é nada mais nada menos que uma bala. Desde o seu fabrico até entrar no carregador de uma qualquer arma, nas mãos de um qualquer guerrilheiro, tendo como morada final a cabeça de um homem. Mais directo que isto era impossível.
O problema de “Lord of War” é a forma pouco eficaz como Andrew Niccol geriu o drama pessoal em paralelo com o drama universal (o do tráfico ilegal de armas, com todos os malefícios que isso implica). E depois nunca acreditamos verdadeiramente nos motivos que levaram a personagem de Cage a enveredar por este negócio, porque estes não são explorados de forma convincente. Pelo meio, o filme começa a divagar por outras paragens (novamente demasiado clichés), em cenários de guerra mundiais, onde o sangue inunda as ruas e a corrupção impera de forma descarada. O problema aqui, mais uma vez, são as personagens, desde o coronel russo até ao ditador africano André Baptiste e o seu filho tresloucado, que não conseguem separar o estereótipo do real. Eles são tudo aquilo que nós esperávamos que fossem, mas sem brilho ou uma marca que os distinga e nos faça olhar para eles como pessoas reais.
Um dos maiores trunfos em “Lord of War” é a ambiguidade de Yuri, personagem de Cage. Vender armas é o seu modo de ganhar dinheiro fácil. E fá-lo porque é bom naquilo. Apenas e só. E, embora ele não utilize as próprias armas como defesa ou meio de aniquilar o adversário, as suas mãos estão cobertas de sangue de milhares e milhares de inocentes. Esta ambiguidade moral, esta ténue linha entre o politica e eticamente correcto é muito bem apanhada e encarnada por Cage.
Não querendo olhar para “Lord Of War” como um panfleto político, o certo é que o modo como o filme acaba pode induzir as pessoas desse modo. Para mim, que não procuro grandes mensagens de propaganda, o fim foi apenas e só tão frio e directo como o início.


CLASSIFICAÇÃO:
6/10

quinta-feira, novembro 03, 2005

Our Hearts Will Beat As One














É sempre com grande entusiasmo que aguardo pelos discos deste senhor. Desde os tempos de “Silence Becomes It” (primeiro disco da era Silence 4), até este novo trabalho a solo. A redescoberta, ou se quiserem, reencontro com a voz e o sentimento das letras de Little David Boy é uma experiência de tal modo pessoal e introspectiva, que se torna difícil para mim traduzi-la ou mesmo explicá-la.
Depois do magnífico “Sing Me Something New”, David regressa em grande com este “Our Hearts Will Beat As One”, onde encontramos tudo aquilo que esperámos, e queremos, dele. Um disco intimista, completamente centrado no amor, nas relações, nas perdas e nas conquistas. Os fantasmas estão lá todos, os medos e arrependimentos também, completados com a voz inconfundível de David e o talento dos músicos que o acompanham nesta segunda aventura a solo (Rita Pereira, Sérgio Nascimento, Paulo Pereira, Ricardo Fiel e Nuno Simões).
Há músicas serenas e melancólicas, outras mais arrojadas e trabalhadas. Aliás, o disco está repleto de referências musicais, ou pelo menos, assim me parece, espalhadas pelos 12 temas (sendo que o 12º foi gravado em exclusivo para as lojas Fnac).
Estando ainda em período de descoberta, parece-me desde já que os temas mais fortes são, para além do 1º single “Who Are U?", as músicas 3, 4, 5 e 10. Respectivamente, “Cold Heart”, “Hold Still”, “Come Into My Heart” e “Bu_Urn”. Curiosamente, foram estas as músicas do alinhamento do showcase dado na Fnac do Norte Shopping, a que tive oportunidade de assistir. Realce ainda para o dueto entre David e Rita Pereira (ex-Atomic Bees) na música “Hold Still”. Um dos momentos altos do disco. E a ouvir com atenção a música 11, que marca o regresso de David às canções em Português, com “Adeus, Não Afaste Os Teus Olhos Dos Meus”, algo que não acontecia desde o 1º álbum dos Silence 4.




segunda-feira, outubro 17, 2005

Gostam Todos da Mesma

TÍTULO ORIGINAL: Rushmore

REALIZADOR: Wes Anderson

ELENCO: Jason Schwartzman, Bill Murray, Olivia Williams, Brian Cox

ANO: 1998




COMENTÁRIO:


Esta “pequena” pérola da comédia burlesca teve uma entrada bem discreta em Portugal, passando directamente para o mercado de venda. Depois de ler um artigo sobre Rushmore na revista Premiere, fiquei com enorme curiosidade em descobrir o que teria de tão diferente e subtil este filme. Daí até à Fnac mais próxima foi um pequeno passo (ou, na altura, uma curta viagem de autocarro). Mesmo sem ter visto uma única imagem, um trailer ou o que quer que fosse, pareceram-me bem empregues os 5 contos. Nessa mesma noite, suspirei de alívio ao perceber que o dinheiro não tinha sido mal gasto. Rushmore entrou para a minha lista de preciosidades, de forma tão impetuosa e inesperada como a vontade que me movera, horas antes, a adquiri-lo.
Foi com Rushmore que contactei pela primeira vez com o universo tão peculiar e bizarro de Wes Anderson, já revisitado em The Royal Tenenbaums – Uma comédia genial e, mais recentemente, em The Life Aquatic with Steve Zissou, Um Peixe fora de Água em Português.
Não é fácil manter a coerência de filme para filme, mas Anderson tem conseguido fazê-lo até agora. O seu universo, povoado por inadaptados e gente bizarra e aparentemente desenquadrada, revela-nos um olhar bem-disposto e satírico à sociedade. Mas, ao mesmo tempo, mostra-nos um certo desencanto em relação ao ser humano, às suas relações, e muito particularmente, aos laços familiares quebrados pelo tempo. Há muito mais sentimento e emoção a descobrir nas suas personagens, desde a dupla Max Fischer/Herman Blume de Rushmore (Jason Schwartzman e Bill Murray, respectivamente) passando por Royal Tenenbaum (magnífico Gene Hackman), até chegar novamente a Bill Murray, o genial comediante de olhar vago e estranhamente nostálgico, na pele de Steve Zissou, o oceanógrafo decalcado de Jacques Yves Cousteau.
E depois Anderson tem o condão de conseguir arrancar o melhor dos seus actores, coisa que só um grande realizador consegue fazer. Para quem nunca viu, desconhece ou conhece parcialmente o trabalho de Wes Anderson, Rushmore é um filme obrigatório.
A ver, e a rever, vezes sem conta...

CLASSIFICAÇÃO:
10/10


Os Guardiões da Noite

TÍTULO ORIGINAL: Nochnoi Dozor

REALIZADOR: Timur Bekmambetov

ELENCO: Konstantin Khabensky, Vladimir Menshov, Valeri Zolotukhin, Mariya Poroshina

ANO: 2004




COMENTÁRIO:

A história não é nova, o conflito também não, o desenvolvimento da trama muito menos. A única coisa que distingue este Nochnoi Dozor (título original) é o facto de não ter um selo a dizer Made In USA, o que por um lado já diz algo sobre o filme.
Ora, não trazendo nada de verdadeiramente original ou inovador, Guardiões da Noite limita-se a evocar as fontes onde foi buscar as suas influências (The Matrix, Lord of the Rings, Blade, Star Wars, e por aí fora) transportando-as para um ambiente que nunca chega a ser tão sujo e dark como seria de esperar.
Aquilo que falha no filme é exactamente o que o deveria distinguir como um bom produto do género – a gestão da acção visual em paralelo com a dramática. Se no primeiro campo as coisas não são más, tendo em conta o orçamento limitado, no que toca ao desenvolvimento da premissa o cenário inverte-se. Há uma clara confusão no desenrolar da história, pois de tão mal gerida, a acção começa a tornar-se monótona e até maçadora. Não existem momentos verdadeiramente grandiosos ou arrebatadores, mesmo em termos visuais, e tudo cheira a refugo de outras paragens cinematográficas.
Há, no cinema de acção e fantasia dos nossos dias, uma confusão que importa esclarecer. Quantidade não significa qualidade. Que é o mesmo que dizer, grandes efeitos especiais e imagens editadas à velocidade da luz não chegam para fazer um bom filme.
Sendo Nochnoi Dozor o primeiro filme de uma anunciada trilogia, espero que os seus sucessores tragam algo de diferente. De qualquer das maneiras, é uma sugestão válida para quem está farto das banhadas constantes que Hollywood nos tem dado, não ficando atrás de títulos recentes como Constantine.

CLASSIFICAÇÃO:
4/10


A Primeira Vez

A ideia de criar um blog não é recente. Então porquê só agora? Nem eu sei bem. Talvez por achar que aquilo que tenho para dizer não é tão importante que justifique a sua exposição. Por outro lado, sou um tipo vaidoso q.b., que gosta de dar a conhecer aos outros aquilo que faz, diz ou pensa (ler em tom anedótico esta última frase).
É óbvio que a criação deste blog tem como objectivo dar a conhecer a minha opinião, os meus gostos e paixões, mas acima de tudo gostaria que este cantinho servisse de espaço de debate e troca de opiniões, daí que a vossa participação seja crucial. Quando digo vossa, refiro-me a todos aqueles que se sintam tentados a opinar sobre um determinado assunto (que serão tão vastos quanto a minha conturbada mente o permitir, mas que ao mesmo tempo não andarão muito distantes do cinema e da música, já que a minha mente não é assim tão conturbada).

Um abraço